Esta semana é lançado o novo disco de Helena Sarmento. Depois da estreia com o belíssimo Fado Azul, surge agora o Fado dos Dias Assim, em vermelho carregado. Talvez porque o fado é essencialmente esse tom sanguíneo das esperas e paixões, vividas sempre no limite do poema, por dentro do coração. E nem por acaso, aqui moram palavras e canções a homenagear um dos que melhor nos escreveu: Manuel António Pina. Ora fixem estas datas, então, s.f.f.: dia 5 de abril, apresentação ao vivo em Lisboa, no Belém Art Fest 2013. Dia 18, no Porto, na Livraria Lello. Há dias assim.
Fado Dos Dias Assim. É já tudo ir a correr comprar o novo disco da Helena Sarmento, acabadinho de sair. Bonitos fados, bonitas homenagens e bonitas surpresas lá dentro. Obrigado Helena, Frederico, Samuel, Paulo, Susana e restante equipa!
Depois de 3 dias a receber mensagens "ouvi-te agora na Antena 1!" finalmente chegou a minha vez!...e com o "meu" Porto-porto, na Alma Lusa - apresentado daquela forma tão bonita a que o Edgar Canelas nos habituou. Há Dias Assim.
Deixo-vos o teaser, filmado na mais bela livraria do Mundo.
Cartaz dos concertos de apresentação do FADO DOS DIAS ASSIM.
Qundo somos mais jovens, somos expostos a um conjunto de estímulos,
que encontram em nós, o prazer e o entusiasmo a desenvolver...
Por
isso a magia, foi o meu estímulo, que procurei desenvolver, e que hoje
tenho o prazer de com a magia procurar, estudar, criar e evoluir...
Confesso que a magia é uma arte sem tradição em portugal.
Mas continuo achar ter sido para mim uma decisão acertada.
As
minhas paixões influênciam-se sempre de forma determinante, no meu
dia-a-dia tenho com a arte mágica uma relação apaixonada e de constante
proximidade.
Seja como hobbie seja como profissão, é
nesta actividade que encontro a cada dia da minha vida a realização do
meu sonho pessoal e profissional.
Telmo Melo, 24 anos. Nasceu e reside em Coimbra. Solteiro, mágico de profissão. Quando descobriu o gosto pela magia?
Tudo aconteceu no ano de 2001 quando assistia a uma série de
espectáculos de Luís de Matos, no Teatro Académico de Gil Vicente, em
Coimbra. Mais tarde passou na RTP1. Algo mexeu comigo. Tentava imitar os
mágicos, mas o efeito não era igual. Comprei livros e pesquisei na
internet.
Os meus amigos queriam jogar futebol, mas eu fazia desaparecer uma moeda, o que me dava muito mais prazer.
Todos ficaram espantados por ser o único da família ligado às artes mágicas. Tem algum ídolo que o inspira? O Luís de Matos é uma grande inspiração para mim. Foi através
dele que me liguei à magia. Há quem me compare a ele, mas não gosto.
Nunca tive aulas com ele. Compreendo que foi através dele que comecei.
Admiro também os efeitos do Kevin James, que é um grande construtor de
ilusões. Quando o vi a actuar ao vivo, nos Encontros Mágicos em Coimbra,
adorei! Até onde já foi em trabalho? Já estive na Suíça três vezes. Percorri Portugal de Norte a
Sul, menos ilhas. Vou a todos os sítios que me convidam. Não podemos
recusar qualquer que seja o convite. Como qualifica Portugal no que concerne ao número de ilusionistas e de espectáculos de magia? A magia é a arte mais antiga do mundo, mas não tem saída em
Portugal. É muito desprotegida a nível cultural. É entretenimento. Há
quem pense que a magia é uma realidade, o que me entristece. Recebo
e-mails, chamadas, cartas em que me dizem para não seguir esta arte. Até
já me ameaçaram. Isto não é real. É ficção, como nos filmes. É a arte
mais bonita que pode existir. Como vê os meios da Comunicação Social? São muito parados. Não dão o valor nem a informação necessária a
esta arte. Podiam fazer reportagens interessantes. Ficam-se por pouco.
Não informam as pessoas. É raro ler-se num jornal algo sobre magia, um
mágico, uma nova ilusão. A magia é uma caixinha de segredos. Devia ser
mais revelada do que o que é. Qual o espectáculo mais marcante até hoje? Todos os espectáculos tiveram significado para mim. Esta
pergunta é complicada. Imagine-se perguntar a um pai de qual filho gosta
mais. Se tiver apenas um é fácil responder. Todas as actuações são
importantes. Cada espectáculo que faço é como se fosse o último. O que lhe falta fazer? Estou bem como estou. Ninguém vive 100% satisfeito. Procuro ser
feliz em todos os momentos mágicos. Sou apaixonado por aquilo que faço.
Faço o que gosto, como gosto e quando gosto.
Deixei de estudar para me dedicar inteiramente à magia. Foi uma boa
opção, pois nunca tive problemas na magia. O meu desafio diário é ser
feliz. Porque se veste sempre de preto? Devido ao Luís de Matos. Quando o vi pela primeira vez comprei
uma camisa preta. Essa camisa suscitou comentários agradáveis. Comprei
mais quatro camisas e calças. Cheguei ao cúmulo de vestir preto em todos
os espectáculos e no meu dia-a-dia. É a resolução para um dos meus
problemas. Fazer aparecer ou desaparecer objectos? Aparecer! Sou muito positivo. Optimismo acima de tudo! Qual o seu truque preferido? É o que vou inventar amanhã. Gosto daquele que vou realizar mais tarde. Evoluir, para conquistar mais público. A crise afecta a magia? Noto a diferença da crise. Mas tenho conseguido encher todas as
salas onde passo. Tenho realizado muitos espectáculos. Normalmente
ficam pessoas em pé e sentadas no chão. Vêm de todo o país.
O que vejo é que a cada ano as marcações de espectáculos têm descido. Em
média tenho 60 espectáculos por ano e em 2010 são cerca de 50. Qual o seu maior sonho? É uma pergunta difícil. Todos nós temos muitos sonhos. Por
agora quero concretizar os meus objectivos. Não devemos ter ganância de
ter tudo de uma vez. Conquistar as coisas aos poucos. Gosto do que faço e
divirto-me bastante com isso. Quero abrir portas à magia, senão o
conseguir posso abrir paredes.
O meu sonho é continuar a fazer aquilo que gosto. Já fez magia de rua? Não, mas gostava muito de ser convidado a fazer parte dos
Encontros Mágicos. Já tive muitos espectáculos, mas nenhum dessa
dimensão. Era diferente e sem dúvida fantástico. Já alguma vez um truque correu mal em plena actuação? Já, mas penso que ninguém percebeu. Temos de disfarçar. Nunca
anunciamos uma ilusão antes de a realizar. As pessoas nunca sabem o que
vão ver. Nunca ninguém se apercebeu de qualquer engano meu numa ilusão. Quando sentiu que era da magia que queria fazer vida? Logo no primeiro espectáculo. É difícil estar sozinho em frente
ao público, mas gosto de comunicar, de estar em frente às pessoas. Para
mim são coisas banais e para os outros um mistério. Magia branca ou magia negra? A magia que faço não tem nada a ver com magia negra, com
feitiços, com cartomantes. É puro ilusionismo, artístico, para captar a
atenção do espectador. Perspectivas para o futuro? Estou a construir vários projectos. Muitos espectáculos e o
lançamento de um DVD promocional que terá entrevistas, ilusões e
fotografias.
A magia é uma arte com especiais características no despertar curiosidade em todos os estratos sociais e ao propiciar momentos de intensa imaginação e de humor sadio, uma actividade nobre que surpreende, “intriga” o ego e deixa “mistério”
no intelecto dos espectadores. Exerce, por isso, um efeito atractivo e
de forte impacto nas pessoas, porque estas tentam compreender, descobrir
ou adivinhar os segredos que nela preponderam e que os
mágicos tão bem sabem criar, dosear e transmitir. Além disso, provoca
interesse naqueles que desejam aprender e desvendar os seus “enigmas” e
transmitir os seus “efeitos ocultos”.
Telmo Melo seduziu-se por esta arte, revelando, no nosso
entendimento, apetência para a magia. Em 2003, ao entabularmos diálogo e
amizade com o jovem, que perdura, incentivámo-lo e demos-lhe ânimo para
abraçar o sonho. Realizavam-se, então, como felizmente para a arte,
para Coimbra e País, ainda se mantém, os “Encontros Internacionais de
Magia de Coimbra”, um projecto inovador e marcante do mágico universal,
Luís de Matos. Telmo Melo não resistiu ao seu fascínio e tornou-se um
“devoto” e apaixonado pela magia e de total admiração pelo seu “mestre”,
Luís de Matos. A agenda elaborada e diversificada, nos mágicos e nos
lugares, proporcionaram-lhe um leque de exibições, a que não faltou,
nesse ano e nos seguintes. A Câmara levou a magia à Penitenciária. E, o
Telmo entristecia, se não fosse. Ultrapassámos o obstáculo graças à boa
vontade do nosso amigo Director. No local de apresentação e perante os
convidados e os reclusos, Luís de Matos ofereceu-lhe uma caixa com
muitos dos “segredos” que tinha de aprender, enquanto o Dr. Carlos
Encarnação referia, estar ali um “clone” do prestigiado e mundial
mágico. Este gesto e as palavras foram o sinal indispensável para o
Telmo acreditar no futuro.
A partir daí a dedicação à magia tornou-se um salutar “vício”.
Leitura de bibliografia atinente à arte, estudo aturado, presença em
programas de magia, consultas ao patrono, prática intensa e, finalmente,
a coragem de aparecer em público, onde incluía em espectáculos sociais,
sobretudo de solidariedade, os números que já dominava. Estivemos nas
suas primeiras exibições e verificámos como vibrava com a magia.
Denotando, dia a dia, mais perseverança, mais determinação e maior
sentido de responsabilidade, foi resolvendo as dificuldades, acreditou
no amanhã e agarrou, com maior força, a esperança que o envolve.
Decidiu-se pela profissão.
Há dias surpreendeu-nos. Integrámos um júri, onde o Telmo apresentava
alguns números do seu reportório. Descontraído, fluente, comunicador,
humilde na apresentação, eufórico e pleno de habilidade e saber, levou
as centenas de pessoas ao rubro. À palavra que descrevia o número em
palco, associava o humorístico numa cumplicidade entre o mágico e a
plateia. E, no momento fulcral trouxe o equipamento complementar e a sua
“partenaire”, obtendo, com o truque da caixa, uma merecida e prolongada
ovação e o reconhecimento da assistência. Telmo Melo, um promissor
valor da magia, um conimbricense que abraçou com “alma”, coragem e
esperança a difícil profissão de mágico. Alguém em plena ascensão na
carreira escolhida.
Telmo Melo comemorou
nove anos de carreira
Telmo Melo, jovem mágico conimbricense, celebra a «realização de um
sonho, vitórias, lágrimas, sorrisos» e está bastante entusiasmado por
haver pessoas «que dão valor» ao seu trabalho.